Postado por Microwave em 8 de abril de 2010 às 4:22 pm
Há algum tempo tenho vontade de escrever um artigo sobre este assunto e o cenário atual se configura como um bom momento para falar sobre este tema.
Parte da espera deve-se à procrastinação e por não saber direito o que viria pela frente. Parte deve-se a não conseguir tempo livre para desenvolver o tema, já que poucas linhas não seriam suficientes para descrever minha experiência e dar uma pequena prévia do que vem por aí.
Tenho uma relação íntima com a plataforma Flash há um bom tempo, a ponto de chegar a sonhar com timelines e conhecer/ evitar todos os bugs possíveis das inúmeras versões do programa.
Apesar de não ter mergulhado na última versão da linguagem de programação do Flash (AS3), tive oportunidade de trabalhar com profissionais especializados muito competentes, que dão conta do serviço muito melhor do que eu faria.
E para o bem geral dos projetos e da minha saúde mental, posso me dedicar melhor ao que é a minha verdadeira especialidade, que venho estudando e produzindo profissionalmente nos últimos 11 anos: o design de interfaces interativas e animação.
O que me despertou o interesse sobre as novidades da nova versão da plataforma Flash CS5 + Adobe AIR 2, foi o post publicado no Blog Adobe Flash Plataform: “Flash Brings the Web to Life” e alguns comentários que surgiram entre a equipe de desenvolvimento aqui na Microwave.
No post da Adobe, temos alguns vídeos mostrando exemplos de aplicativos multi-plataforma rodando tanto no iPhone, como no Android:
Packager for iPhone Demos from Mark Doherty on Vimeo.
Trata-se de standalone apps, ou seja, aplicativos publicados de uma forma especial para rodar fora da web/browser dos dispositivos. Além dos aplicativos para aparelhos móveis, também vemos um vídeo (por sinal, muito bem produzido) de aplicativos rodando nos novos tablets da Dell, que trabalha junto com a Adobe no aprimoramento dos dispositivos para rodarem aplicações produzidas para o Flash Player 10.1:
Segundo o mesmo artigo, a Adobe também vem trabalhando com a HP e outros fabricantes para lançar, em breve, tablets com suporte completo ao Flash Player mais recente.
Bom para nós, que criamos e desenvolvemos pois, dessa forma, podemos expandir nosso leque de dispositivos, trabalhando com uma plataforma que estamos familiarizados.
Já temos alguns aparelhos e estamos prontificando outros para testar nossas criações multi-plataforma aqui na Microwave.
Vilão ou aliado? Um pouco da minha experiência com o Flash
O Flash, sempre foi inovador, me despertou o interesse na versão 4, se não me falha a memória.
O software pertencia à Macromedia e foi quando criei minha primeira animação na plataforma.
O último software de animação 2D que tinha utilizado chamava-se Autodesk Animator, nos anos 90.
Ele rodava no DOS, era jurássico, mas com paciência e habilidade até que dava pra brincar (em 256 cores) e criar animações interessantes para a época:

Ao bater o olho no Flash, vi de cara que o esquema de animação era bem mais simples e que dava pra obter bons resultados. Alguém se lembra do site www.eye4u.com? Pode parecer banal atualmente, mas em abril de 2001, os sons em estéreo e as animações do site deixavam qualquer um impressionado. Engraçado que as tendências vão e vem e de certa forma, após uma olhada rápida no link, o design do site me pareceu até meio atual. Enfim, este foi o primeiro site que me chamou atenção de verdade, até porque o html era muito primário.
Um tempo depois descobri o incrível estúdio www.2advanced.com, que foi inspiração durante um bom tempo. Os caras tinham uma espécie de “Pixar” dentro do estúdio, que deixava tudo muito sinistro. Era o início real da integração de vídeo/3D, com gráficos estáticos e animações de interface. Obviamente, comecei a me interessar e produzir conteúdos nesses formatos.
Não podemos passar por essas “velharias” sem citar o www.thefwa.com, que não lembro quando surgiu, mas que se estabeleceu como a maior premiação online e objeto de desejo de 9 em cada 10 designers/desenvolvedores. O FWA mostra alguns projetos que quase nos convencem de que não temos nenhuma vocação para o ramo, confira a versão nova, que foi ao ar recentemente.
Toda essa inovação que a plataforma trouxe durante seus anos de evolução sempre foi alvo de críticas de todos os lados: lentidão, interfaces confusas, a maldita indexação do google, animações intermináveis (obviamente muito lixo foi produzido, mas não é culpa do Flash e sim por erros humanos) etc. Eu mesmo já fui metralhado inúmeras vezes por defender e produzir na plataforma, mas graças à dedicação e, principalmente, por tratar com muito carinho tudo o que faço, continuo recebendo elogios e premiações por trabalhos bem resolvidos.
HTML X Flash
Sua escolha vai dizer se seu projeto terá retorno, ou não. Como profissional, você deve guiar o cliente para o caminho certo.
Neste ponto, vou fugir um pouco das novidades do CS5 e voltamos para uma questão antiga, sites 100% Flash projetados para desktops.
Até que ponto eles são viáveis? Alguns desenvolvedores costumam levar as coisas para o lado pessoal, defendendo com unhas e dentes a tecnologia que dominam ou a que julgam “ideal”.
Mas veja bem, não se trata de uma guerra!
Há espaço ao sol para todos e a questão é baseada em entender o projeto que você vai começar. Lembre-se de que um projeto começa antes, quando você recebe um pedido ou quando elabora uma proposta.
O grande segredo do uso da plataforma Flash sempre foi e continua sendo o bom senso.
A escolha da tecnologia ideal é o mais importante na pré-produção de um projeto online.
Durante minha trajetória, já usei o Flash como ator principal e coadjuvante em alguns momentos, mas também o descartei completamente em outros casos (produzindo portais, intranets, blogs…). Perguntas básicas que você aprende na faculdade para criação de um briefing respondem perfeitamente essa questão.
Qual o público-alvo?
Qual o resultado esperado?
Você realmente precisa que o google retorne milhões de cliques, você vai dar conta do recado?
Seu servidor aguenta “x” acessos?
Qual o tamanho do seu negócio/ projeto?
Você precisa de recursos multimídia avançados para mostrar seu produto/ serviço?
E por aí vai…
É tudo uma questão de estratégia.
Importante lembrarmos de que uma boa campanha online e a ativação em redes sociais também caem muito bem em projetos Flash, em que os números são importantes, suprindo a “ignorância” dos robozinhos do Google. Fica aqui a dica e a propaganda para nossos clientes ou futuros clientes: comprem o pacote completo. Para mais informações, visite nosso site e confira nossos serviços.
Em tempo: também vemos uma evolução monstruosa no HTML nos últimos anos, o que nos faz ter resultados fantásticos com um mix de tecnologias para criar interfaces interativas/animadas.
Na Microwave, temos profissionais com grande habilidade nesta área e conseguimos resolver muito bem projetos em que as vantagens do uso do HTML são imprescindíveis. Veja alguns destes projetos no nosso portfolio.
Em outros casos, o uso do flash como plataforma é altamente recomendável: na criação de games, aplicativos ou interfaces web com áudio, vídeo e animações integrados, interações multi-usuário em tempo real etc. As vantagens vão desde o custo de desenvolvimento – quando comparado a plataforma java, por exemplo – já que o Flash player está presente em milhões de aparelhos e, graças às inovações que me motivaram a escrever sobre o assunto, estará presente em muito mais plataformas.
Para nos situarmos no cenário global da internet em números, vale a pena dar uma olhada no vídeo de JESS3 feito nos EUA em fevereiro de 2010. Apesar do Flash não ser citado explicitamente no vídeo, acrescento que ele é responsável por 70% dos games e 75% do conteúdo em vídeo presente internet atualmente.
Ele está lá, de alguma forma, em vários dos websites que são mostrados no vídeo:
JESS3 / The State of The Internet from JESS3 on Vimeo.
AS2 X AS3
Vejo que agora é um bom momento para o início da migração definitiva para a linguagem AS3, já que o suporte ao Player 10.1 está em alta.
O bom e velho AS2 ainda é usado em larga escala e é recomendado em diversas situações, já seu sucessor, o AS3 não é mais uma novidade, mas como muitas vezes as novidades são experimentais e considerando que estamos buscando uma estabilidade no mínimo temporária ao investir em uma tecnologia específica, acredito que a linguagem esteja chegando no ponto. Nesse momento, já temos profissionais qualificados no mercado e mais usuários com versões atualizadas do Player.
Fora isso, trata-se de uma linguagem mais organizada, onde a fluidez das animações é superior, os vídeos rodam melhor e temos recursos como o incrível Papervision 3D, entre outras vantagens.

Quem é designer como eu e se assustou com uma linguagem voltada exclusivamente para programadores, que reduz a possibilidade de se fazer “gambiarras” e onde temos menos uso da timeline, fica a dica: conheça um bom profissional de programação desta linguagem e comece uma parceria de sucesso. Assim, o nível do seu trabalho será superior e, com o tempo, você aprenderá muito com ele. Se você mesmo deseja se aventurar, busque por conteúdo relacionado na web para ir se familiarizando até a chegada da nova versão, onde teremos alguns presets em uma paleta chamada code snippets, para facilitar sua vida (observe o screenshot acima).
Cuidados com os novos formatos

Se você imagina que seu site full flash cheio de vídeos fullscreen e layouts preparado para a web vai rodar lindo nos aparelhos móveis, muita calma.
Os exemplos citados aqui referem-se basicamente a games e aplicativos desenvolvidos para plataformas específicas.
É claro que, com algumas adaptações, pode-se fazer uma versão do seu site para rodar legal nelas, mas deve-se lembrar de limitações como a conexão 3G, que não tem uma velocidade muita alta, além de outro detalhe muito importante: o tamanho da tela. As telas são bem menores do que um monitor de desktop 19″.

No caso do iPhone, na versão CS5 do Flash, teremos a opção de exportar como um aplicativo nativo para o aparelho da Apple, mas ainda não achei na internet nenhuma publicação oficial sobre uma versão do Flash Player 10.1 nativo para ele, que rode no Safari, por exemplo. Parece que a Adobe e Apple ainda não se entenderam completamente. Se você souber de uma boa notícia sobre esta questão, deixe o link aqui nos comentários do post!
Este vídeo-tuturial mostra um exemplo de uma aplicação simples sendo criada para o iPhone: Building iPhone Applications with Flash – Learn how to use Flash CS5 to compile your Flash applications into native iPhone applications.
A nova versão
Em uma busca rápida por imagens na web, percebi que a nova versão também vem equipada com recursos gráficos que parecem ser interessantes:

Neste vídeo, também vemos alguns dos outros recursos novos do programa:
Um deles me chamou bastante atenção, que é a evolução considerável dos famigerados campos de texto das versões anteriores, que sempre foram problemáticos. Infelizmente, ainda não tive a oportunidade de testá-la. Mas, assim que o fizer, pretendo compartilhar a experiência.
Dando essa olhadinha rápida nos próximos meses (ou anos, quem sabe?), vejo um futuro brilhante para uma tecnologia que cheguei a acreditar que estava fadada à extinção. Vida longa ao Adobe Flash e aos seus designers/desenvolvedores! Vamos nessa que há muito trabalho pela frente!
Visite nosso portfolio e conheça alguns dos games/aplicativos e websites criados com a ajuda do Flash.
Abraços,
Diogo Microwave.






