Postado por Microwave em 29 de março de 2010 às 3:41 pm
Nascido na mesma cidade de Chico Mendes, Xapuri, no Acre, Armando Nogueira também é História do Brasil.
Contribuiu com esta história em vários momentos.
Gênio que supera em excelência tantos outros, sempre foi versátil e extremamente competente ao fazer aquilo que sabia.
Formado em Direito, embrenhou-se no Jornalismo e, de lá, nunca mais saiu.
Repórter, redator, colunista, fotógrafo, editor, diretor, escritor, poeta.
Presenciou o atentado a Carlos Lacerda, em Copacabana. Narrou tudo o que viu em primeira pessoa, estilo inédito no jornalismo brasileiro, até aquele momento.
Não ficou de fora do grande O Cruzeiro. Por lá, sua inscursão foi fotográfica.
Mais tarde, foi para o JB e atuou como redator e colunista.
Migrou para a TV em 1959, para a antiga TV-Rio.
Após alguns anos, trabalhou e dirigiu por mais de duas décadas a Central Globo de Jornalismo, da Rede Globo de Televisão, onde também foi responsável pela Divisão de Esportes.
Mudou para sempre o hábito de famílias inteiras nas noites da Terra Brasilis quando, há quase meio século, deu vida ao Jornal Nacional.
Proporcionou ao jornalismo merecido lugar de destaque.
Passeava com amor por entre os esportes: cobriu todas as Copas do Mundo, a partir de 1954. Os Jogos Olímpicos ganharam a companhia de Armando Nogueira a partir da edição de 1980, em Moscou. Isso mesmo, aquela em que o ursinho Misha chorou na cerimônia de encerramento.
Nos Jogos de Barcelona, em 1992, foi com a equipe da Rede Bandeirantes. Em Atenas (2004) foi a vez de Nogueira presentear a equipe do Sportv (Globosat) com sua participação.
Neste mesmo canal, apresentava o programa ” Papo com Armando Nogueira” e participava do ” Redação SportTV” . Ainda mantinha presença em rádio, na CBN, em programa de Carlos Sardenberg.
Não parava. Dirigia a Xapuri Produções de vídeos e coordenava, pessoalmente, o site que levava seu nome.
Escreveu dez livros. Todos voltados para o esporte, sua maior paixão, e em especial o futebol.
Tornou-se um dos melhores cronistas brasileiros. Alguns de seus livros revelam grande importância literária entrando para a grade curricular de escolas e universidades.
Viu a bola rolar no gramado e a vida correr mundo afora infinitas vezes e tinha, como poucos e bons, a capacidade de narrar cada momento com o talento de um craque das palavras.
A emoção era inconfundível, coisa de apaixonado mesmo.
Sua escrita inspirou outros jornalistas esportivos que, declaradamente, seguem seu estilo. A poesia era uma constante em suas criações.
Gostava de dizer que “O futebol não aprimora os caracteres do homem, mas sim os revela.” Exemplo de visão que Armando Nogueira tinha do mundo que o cercava e que é, pelos atentos, seguido com disciplina.
Amava voar, pilotava ultraleves. Invejava os pássaros que, livremente, pairavam no céu e detinham o horizonte, tantas vezes limitado para nós, aqui na terra, como ele mesmo falava.
Sonhava em ter asas. Hoje, às sete horas da manhã, voou em paz.
Foi jogar bola, quem sabe, com outro grande botafoguense: o de pernas tortas e destreza inigualável.
A sua estrela, Armando Nogueira, jamais será solitária, tamanha solidariedade, inovação, ousadia e respeito profissional que imprimiu em tudo o que fez.
Em vida, virou nome de premiação: Troféu Armando Nogueira.
Hoje, Armando Nogueira, o troféu de Grande Mestre é seu. Eternamente, agradecemos por tudo.
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